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Comecei na música aos 13 anos quando morava em Taguatinga-DF., sempre via as pessoas tocarem violão e sentia enorme vontade de aprender. Um certo dia pedi a meu pai, que é marceneiro, para que fizesse um violão para mim. Passado algum tempo, meu pai um dia chegou em casa com um violão embaixo do braço e me deu de presente. Era um violão estranho, pesado, todo feito em compensado de 4mm, e tinha um som muito agudo. Mas a minha felicidade foi enorme, pois com esse instrumento aprendi as primeiras notas, e um mês depois já tocava algumas músicas, mas o violão não ajudava, era muito duro, os trastos eram feitos de arame e era muito desconfortável.

Passei então a perseguir a idéia de adquirir um violão de verdade, foi quando um amigo passarinheiro pegou em uma troca, um violão Rei ( Rei dos Violões), imediatamente propus a ele uma troca em um relógio de pulso que eu tinha, fechamos o negócio e fui imediatamente para casa de posse do meu violão. Desse dia em diante nunca mais me privei da companhia de um instrumento, mas nunca cheguei a me profissionalizar, sempre tocava em casa com amigos e até cheguei a montar uma banda de baile, a qual chegou a durar 05 anos e desfazendo-se por falta entusiasmos por parte dos componentes.

Em 2001 após tentar reformar uma guitarra Gianini stratosonic antiga que me foi presenteada pelo meu irmão do coração, senti vontade de fabricar instrumentos de cordas, e procurei vários luthier´s afim de encontrar um que se dispusesse a me ensinar a arte da luthieria, mas não tive muito sucesso, uns diziam não ter tempo para ensinar, outros diziam que não ensinavam porque ninguém os ensinou, etc. etc. etc. Então pensei comigo, se ninguém me ensina, aprendo sozinho, e procurei ajuda aonde tinha, na rede, onde achei um site de uma empresa americana especializada em artigos para luthieria(www.stewmac.com), e adquiri um vídeo ensinando a fabricar guitarra de corpo sólido, bastante superficial, mas suficiente para me incentivar ainda mais no meu propósito.

Com a visualização desse vídeo, sim por que eu não entendia nada do que o luthier falava, eu fabriquei minha primeira guitarra de corpo sólido em mogno com braço em Amapá e escala em ipê que ficou uma M..., mas dava para tocar.

Não desisti, continuei incessante nas minha pesquisas na Internet e continuei fabricando guitarras, contrabaixos e presenteando amigos e parente com meus instrumentos, e até hoje nunca perguntei o que fizeram com tais instrumentos, se jogaram fora , guardaram ou passaram adiante.

Mas um certo dia através do amigo William descobri um luthier que fabricava violões lá pelas bandas do Areal em taguatinga sul, e resolvi ir lá tentar convence-lo a me ensinar. Houve grande resistência por parte dele, mas por fim ele cedeu com algumas restrições.

Então comecei a fabricar o meu primeiro violão com ajuda dele, na verdade ele fabricou e eu assisti a todo o processo, e as vezes fazia alguma coisa que não comprometesse o processo caso errasse, mesmo porque eu não tinha intimidade nenhuma com as ferramentas. Demoramos mais ou menos 01 ano na confecção desse violão, porque eu só podia ir aos sábados e nem sempre trabalhávamos no meu meu violão devido ao grande volume de serviços que ele tinha, mas de qualquer maneira todos os sábados lá estava eu sempre atento a todos os movimentos dele, perguntando, bisbilhotando, aprendendo, e graças a Deus e a esse amigo eu aprendi a desenvolver o processo de fabricação e aos poucos comecei sozinho em minha oficina a confeccionar os meus próprios instrumentos.

Por isso sou muito agradecido a esse amigo chamado Fabio Moreno por quem tenho grande estima e a quem devo muito do que sei hoje.

Creio em Deus e acredito na máxima de que o conhecimento só tem valor se puder ser compartilhado. Por isso deixo claro à aqueles que visitarem a minha página que estão iniciando na arte da luthieria, ou aqueles que já são antigos na arte e que sejam humildes o bastante para admitir que por mais que saibamos nunca sabemos tudo, e que tem sempre alguém que sabe alguma coisa que não sabemos, que se quiserem trocar informações, escrevam-me que estarei sempre receptivo a dicas e esclarecimentos .

 

 

 
  "Essa viola é mió que queijo!"  
  Wellington Assis
(Violeiro de Campina Verde)
 


 
 
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